Se quiser pôr a prova o
caráter de um homem, dê-lhe poder. Abraham Lincoln.
A tecnologia (da invenção da roda ao desenvolver de fontes de energia
nucleares) parece evoluir numa dança entre a necessidade imediata de extinguir/mitigar
os sofrimentos dos seres humanos e os anseios, cada vez mais visíveis, de
equipara-los a deidades. Dessarte, o avanço tecnológico chegou ao ponto de não mais
tentar adaptar-nos ao ambiente, mas fazer, com o intuito
de garantir uma falsa segurança, com que o ambiente se adapte a nós.
O autor afirma que os membros da “elite ínfima e poderosa”, a
principal fonte de investimento em pesquisas e modernização, não consideram mais
uma prioridade modificar ainda mais o meio ambiente a
nosso bel prazer. Ao contrário, eles acham mais efetivo investir em métodos e
utensílios que viabilizem a sobrevivência deles
numa terra semi-devastada (ou até mesmo em outro planeta). Desse modo, é observado um quadro (quase cômico) de um retorno
dos homens “civilizados” às raízes do nomadismo.
O prolongar do texto não dá ao leitor apenas razões para enxergar com maior criticidade as intenções das grandes
corporativas, mas também a possibilidade de desenvolver um olhar humanizado
acerca de sua condição enquanto provável consumidor de produtos relacionados ao avanço científico e,
portanto, responsável em parte tanto pelo retrocesso quanto pelos avanços observados. Uma pessoa relativamente favorecida, por exemplo, utiliza de ar condicionado ou aquecedores para evitar as
temperaturas extremas, tenta aproximar cada vez mais o nível de aconchego de
seu automóvel ao de um lar (evitando assim, o enfadonho transporte público) e toma
uma série de medidas que lhe proporcionem segurança e afastamento de situações
e indivíduos “indesejáveis”. Em raros momentos, tão absorto em suas atividades
diárias, se compadece com a condição do que é obrigado a lidar com essas
intempéries, para ele tão facilmente evitáveis. Essas atitudes, mesmo que em menor proporção, se assemelham a mentalidade dos tais milionários excêntricos caricaturizados no texto, o que nos faz, como reprodutores inconscientes desse tipo de comportamento, exercitar um olhar avesso à individualidade e polir nosso senso de coletividade.
Marina, entendo seu ponto sobre a alienação do indivíduo quanto a manipulação coorporativista e quanto ao descaso ambiental, a exemplo do uso indevido de aparelhos como ar-condicionado.Porém é importante ressaltar que esses mesmos indíviduos estão submetidos a uma lógica social muito própria, cada um em sua realidade individual.Se uma pessoa trabalha o dia todo, em um local quente e em um ambiente de trabalho compartilhado, ela própria não pode ser culpabilizada pelo aquecimento global ou mesmo pelo aumento da temperatura em micro-climas.São as empresas,também, as responsáveis pelo fomento ao uso de seus aparalhos nocivos ao meio ambiente e são elas as que mais poluem e destroem nosso planeta, por meio da indústria e pecuária.O gasto de alguém utilizando ar-condicionado é ínfimo comparado aos gastos desse setor.
ResponderEliminarAchei excelente sua menção ao fato de que a sociedade trocou o "se adaptar à natureza" pelo "adaptar a natureza". Abandonar totalmente o caminho natural na tentativa de manipular o meio ambiente em prol do lucro é uma escolha perigosa e suicida. Não é a toa que há um possível "Evento" batendo na nossa porta.
ResponderEliminarConcordo! Acho importantíssimo mostrar para o leitor que não são somente os considerados "grandes" no alto escalão do capitalismo os responsáveis por esse quadro caótico. A partir do momento em que você se posiciona em uma sociedade capitalista, passa a usufruir dos seus benefícios e atender às suas demandas, automaticamente você entra nessa rede que está conduzindo o planeta para esse "evento"
ResponderEliminarA colocação de não meramente buscar a adaptação ao meio, mas empregar a tecnologia para moldar esse é perfeita. A sedentarização da humanidade ao longo da história perpassa invenções que permitem habitar anecúmenos, aturar condições de tempo extremas e isso, sem dúvida, acaba ocasionando o isolamento daquilo que é externo.
ResponderEliminarMuito interessante sua menção a este olhar humanizado que o texto induz ao leitor e a relação feita entre as atitudes de cada individuo e os ultra-milionários retratados no texto, pois todos somos responsáveis por esse caos social, guardando as devidas proporções de mecanismos de poder.
ResponderEliminar